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Hálux valgo: como corrigir e tratar o joanete?

Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

Por: Publicado em 2 junho, 2026

7 min. de leitura

Deformidade progressiva do pé pode causar dor, dificuldade no uso de calçados e alterações na mecânica da marcha

O hálux valgo, popularmente conhecido como joanete, é uma condição frequente que afeta a estrutura do antepé e pode impactar diretamente a qualidade de vida. Apesar de muitas vezes ser percebido inicialmente como uma alteração estética, trata-se de uma deformidade óssea progressiva que pode evoluir com dor, limitação funcional e dificuldade para realizar atividades simples do dia a dia.

Com o avanço do quadro, alterações na distribuição de carga do pé podem levar a sintomas adicionais e até a deformidades associadas. Por isso, compreender suas causas, manifestações clínicas e opções de tratamento é fundamental para evitar a progressão e indicar o momento adequado de intervenção.

O que é o hálux valgo (joanete)?

O hálux valgo é uma deformidade caracterizada pelo desvio progressivo do dedão do pé em direção aos dedos menores, associado ao surgimento de uma proeminência óssea na sua base. Essa alteração envolve um desalinhamento da articulação do primeiro raio do pé, podendo comprometer não apenas a estética, mas também a função.

Com a progressão, o desalinhamento pode levar à sobreposição dos dedos e à alteração da biomecânica da marcha, favorecendo pontos de sobrecarga e dor. O atrito constante com calçados e o contato anormal entre os dedos contribuem para o surgimento de sintomas, que tendem a se intensificar ao longo do tempo.

O que causa o crescimento do hálux valgo?

A principal causa do hálux valgo é a predisposição genética, que determina características estruturais do pé que favorecem o desenvolvimento da deformidade. Indivíduos com histórico familiar apresentam maior risco de desenvolver o problema, mesmo na ausência de fatores externos relevantes.

No entanto, o uso frequente de calçados inadequados, especialmente modelos de bico fino e salto alto, atua como fator de progressão. Esses hábitos favorecem a compressão do antepé e contribuem para o agravamento do desalinhamento ao longo dos anos. Assim, embora a origem seja estrutural, fatores comportamentais influenciam diretamente na evolução do quadro.

Sintomas comuns do hálux valgo e como identificá-los

O sinal clínico mais evidente é a presença do joanete, caracterizado pelo aumento de volume na base do dedão associado ao seu desvio. No entanto, a manifestação clínica vai além da alteração visual e frequentemente inclui sintomas dolorosos.

A dor costuma ocorrer principalmente pelo atrito com calçados e pelo contato entre os dedos, especialmente em casos com sobreposição. Além disso, é comum a presença de dor na região plantar anterior do pé, conhecida como metatarsalgia, que resulta da sobrecarga mecânica nessa região. Em estágios mais avançados, podem surgir deformidades nos dedos menores, o que torna o quadro mais complexo e sintomático.

É possível corrigir o joanete sem cirurgia?

Não existe tratamento não cirúrgico capaz de corrigir o hálux valgo de forma definitiva, uma vez que a deformidade envolve alterações estruturais ósseas. No entanto, medidas conservadoras desempenham papel importante no controle dos sintomas, especialmente em casos iniciais ou pouco sintomáticos.

A principal estratégia é a adaptação do uso de calçados, priorizando modelos com bico mais largo e que não gerem compressão sobre o antepé. Essas medidas ajudam a reduzir o atrito e aliviar a dor, podendo inclusive diminuir a velocidade de progressão do hálux valgo ao longo do tempo.

Qual é o tratamento para hálux valgo?

O tratamento para a condição deve ser sempre individualizado e depende da gravidade da deformidade e da intensidade dos sintomas. Em quadros leves, a abordagem conservadora pode ser suficiente para controle do desconforto, desde que associada a mudanças de hábitos, especialmente em relação ao uso de calçados.

Nos casos em que há dor persistente, limitação funcional ou deformidade progressiva, a correção cirúrgica passa a ser indicada como forma de restaurar o alinhamento do pé e melhorar a função. A decisão deve considerar tanto aspectos clínicos quanto o impacto do quadro na rotina do paciente.

Quando a cirurgia do hálux valgo é indicada e como funciona?

A cirurgia de joanete é indicada quando o paciente apresenta sintomas relevantes ou quando a deformidade evolui a ponto de comprometer a função do pé. O procedimento tem como objetivo corrigir o desalinhamento ósseo, restaurar a anatomia e aliviar os sintomas associados.

De modo geral, a técnica envolve a realização de cortes ósseos planejados (osteotomias), reposicionamento das estruturas e fixação com implantes, como parafusos, garantindo estabilidade durante a consolidação. A escolha da técnica depende do grau da deformidade e das características individuais do paciente.

Cirurgia minimamente invasiva (percutânea)

A técnica percutânea é realizada por meio de pequenas incisões ou microperfurações na pele, utilizando instrumentais específicos para correção da deformidade óssea. Essa abordagem reduz a agressão aos tecidos e permite uma recuperação mais funcional no pós-operatório.

Atualmente, é possível tratar a maioria dos casos com essa técnica, tornando-a uma das principais abordagens no tratamento cirúrgico do hálux valgo.

Osteotomia e fixação

A osteotomia consiste na realização de cortes estratégicos nos ossos para permitir o reposicionamento adequado do dedão. Após o alinhamento, são utilizados parafusos para estabilizar a estrutura, garantindo que a consolidação ocorra na posição correta.

Essa etapa é fundamental para o sucesso do procedimento, independentemente da técnica utilizada para o acesso cirúrgico.

Recuperação da cirurgia de hálux valgo

Na abordagem minimamente invasiva, o paciente pode apoiar o pé precocemente, utilizando uma sandália ortopédica específica. Apesar disso, é necessário manter repouso relativo nas primeiras semanas, evitando atividades de maior impacto ou caminhadas prolongadas.

O uso do calçado especial costuma ser mantido por cerca de seis semanas, período após o qual ocorre a transição gradual para calçados convencionais. A recuperação completa, incluindo retorno a atividades físicas mais intensas, geralmente ocorre entre três e quatro meses.

Complicações do hálux valgo não tratado

A principal complicação do hálux valgo não tratado é a progressão da deformidade, que pode se agravar ao longo do tempo. Esse avanço está associado ao aumento da dor, maior dificuldade para o uso de calçados e comprometimento funcional.

Além disso, podem surgir metatarsalgia, deformidades nos dedos menores e, em casos mais avançados, lesões na pele decorrentes do atrito constante. Esses fatores reforçam a importância do acompanhamento especializado.

Qual médico trata o hálux valgo?

O hálux valgo deve ser tratado por um Ortopedista especialista em pé e tornozelo. Esse profissional é responsável por avaliar o grau da deformidade, a presença de sintomas e o impacto funcional, definindo a melhor abordagem para cada caso — seja conservadora ou cirúrgica.

O Dr. Guilherme Honda é ortopedista com atuação dedicada a essa área, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e com especialização no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da FMUSP. Possui experiência na avaliação e tratamento de deformidades do pé, incluindo o hálux valgo, com abordagem baseada em critérios técnicos e individualização da conduta. Possui inúmero artigos científicos em renomadas revistas internacionais abordando o tratamento cirúrgico do hálux valgo.

Além da formação no Brasil, realizou fellowship no Hospital for Special Surgery, nos Estados Unidos, e mantém atuação em instituições como o Hospital Sírio-Libanês e o Hospital Israelita Albert Einstein. Sua prática clínica prioriza a indicação criteriosa de tratamento, com definição de conduta baseada em evidências científicas e individualizada de acordo com as características e expectativas de cada paciente.

Agende sua consulta com o ortopedista Dr. Guilherme Honda.

 

Fontes:

Honda Saito, Guilherme et al. Management of the Tarsometatarsal Joint in the Rotational Correction of Hallux Valgus by the Modified Lapidus Procedure: Intraoperative Technical Tips to Prevent Complications. Foot Ankle Specialist. 2021

Honda Saito, Guilherme et al. Is first metatarsal shortening correlated with clinical and functional outcomes following the Lapidus procedure? International Orthopaedics. 2021

Honda Saito, Guilherme et al. Correlation of first metatarsal sagittal alignment with clinical and functional outcomes following the Lapidus procedure. Foot Ankle Surgery 2022

Honda Saito, Guilherme et al. Is there a tolerance for extension of the first metatarsal after the Lapidus procedure? A clinical, functional, and hindfoot radiographic analysis. International Orthopaedics. 2024

Honda Saito, Guilherme et al. A comparative analysis of clinical, functional and radiographic outcomes of patients with and without fusion between the first and second metatarsals after the lapidus procedure. Foot Ankle Surgery. 2023

Honda Saito, Guilherme et al. Impact of forefoot width variation on clinical and functional outcomes following the Lapidus procedure. European Journal Orthopaedics Surgery Traumatology. 2023

Honda Saito, Guilherme et al. Intraoperative Technical Tips to Improve Fusion Between the First and Second Metatarsals in the Original Lapidus Procedure. Foot Ankle Spec. 2023

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