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Dor crônica no tornozelo: causas e tratamentos

Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

Por: Publicado em 2 junho, 2026

6 min. de leitura

Sintoma geralmente está associado a alterações estruturais ou lesões não resolvidas que exigem avaliação especializada

A dor no tornozelo é uma queixa frequente e, grande parte das vezes, está relacionada a traumas agudos, como entorses. No entanto, quando esse sintoma persiste por um período prolongado, deixa de ser um quadro transitório e passa a indicar a possibilidade de uma condição subjacente mais relevante.

A dor crônica no tornozelo não deve ser negligenciada, pois pode estar associada a lesões ligamentares, alterações ósseas ou processos degenerativos que podem evoluir com o tempo. A identificação da causa é essencial para evitar a progressão do quadro e definir o tratamento mais adequado.

Como saber se a sua dor no tornozelo se tornou crônica?

A dor é considerada crônica quando apresenta duração superior a três meses. Esse é o principal critério clínico utilizado para diferenciar quadros agudos de condições crônicas.

Quando a dor no tornozelo se mantém por esse período, torna-se um sinal de alerta. Isso porque, em condições habituais, lesões simples tendem a se resolver espontaneamente ou com tratamento adequado. A persistência do sintoma indica, na maioria das vezes, a presença de algum problema subjacente que não foi devidamente tratado ou que evoluiu ao longo do tempo.

Principais causas da dor crônica no tornozelo

A dor crônica no tornozelo pode ter diferentes origens, frequentemente relacionadas a lesões prévias ou a processos degenerativos. Em muitos casos, essas causas estão associadas entre si.

Instabilidade crônica do tornozelo

A instabilidade crônica do tornozelo é uma condição caracterizada pela perda da estabilidade articular, frequentemente descrita pelo paciente como um “tornozelo frouxo”. Esse quadro leva à sensação de insegurança ao caminhar, além de episódios recorrentes de falseio e entorses.

A principal causa está relacionada a lesões ligamentares prévias, geralmente decorrentes de entorses que não foram tratadas adequadamente. Em alguns casos, indivíduos com hiperfrouxidão ligamentar também podem apresentar esse tipo de instabilidade.

Entorse de tornozelo mal cicatrizada

Mesmo entorses consideradas leves podem causar algum grau de lesão ligamentar. Quando não há tratamento adequado, essas lesões podem evoluir com cicatrização inadequada, resultando em dor persistente e maior predisposição a novos episódios.

Essa é uma das causas mais comuns de dor crônica no tornozelo, especialmente em pacientes que retornam precocemente às atividades sem reabilitação adequada.

Impacto posterior ou anterior

O impacto no tornozelo ocorre quando há formação de osteófitos — popularmente conhecidos como “bicos de osso” — na região anterior ou posterior da articulação. Essas estruturas causam atrito durante o movimento, levando à dor, especialmente em atividades que exigem mobilidade do tornozelo.

Com o tempo, esse atrito repetitivo pode manter o quadro doloroso de forma crônica.

Artrite/artrose

A artrose do tornozelo é caracterizada pelo desgaste da cartilagem articular, levando à dor crônica, rigidez e redução da mobilidade. Diferentemente de outras articulações, a artrose no tornozelo é frequentemente secundária a traumas prévios.

Fraturas, lesões ligamentares e instabilidade crônica são causas comuns desse desgaste ao longo do tempo. Embora menos frequente, também pode ocorrer degeneração primária relacionada à idade.

Tendinites e tendinopatias

As alterações nos tendões ao redor do tornozelo podem ocorrer por inflamação, sobrecarga mecânica ou processos degenerativos. Esses quadros podem evoluir de forma progressiva, com dor persistente que piora com a atividade física.

Em casos mais avançados, pode haver degeneração significativa do tendão, com intensificação dos sintomas e impacto funcional importante.

Fraturas por estresse

As fraturas por estresse são lesões ósseas causadas por sobrecarga repetitiva, e não por um trauma agudo. Por serem menos evidentes, muitas vezes não são diagnosticadas precocemente, o que contribui para a persistência da dor.

Sem tratamento adequado, essas fraturas podem evoluir para quadros de dor crônica, especialmente em indivíduos que mantêm o nível de atividade física sem o devido acompanhamento.

Sintomas comuns da dor crônica no tornozelo

O principal sintoma da dor crônica no tornozelo é a dor persistente, que pode se desenvolver de forma progressiva ao longo do tempo. Em muitos casos, o quadro se inicia de maneira leve e vai se intensificando, tornando-se mais frequente e limitante.

A dor geralmente está associada a esforços físicos, mas também pode surgir durante atividades simples, como caminhar. A intensidade e o impacto funcional variam conforme a causa, podendo incluir dificuldade para realizar atividades do dia a dia.

O que fazer quando o tornozelo não para de doer?

Diante de uma dor persistente, a principal recomendação é procurar avaliação médica para investigação adequada. A continuidade das atividades, especialmente aquelas que agravam o sintoma, pode contribuir para a piora do quadro.

Até a definição diagnóstica, é importante evitar esforços intensos e situações que aumentem a dor. A identificação da causa é essencial para direcionar o tratamento de forma eficaz.

Opções de tratamentos para dor crônica no tornozelo

O tratamento da dor crônica no tornozelo depende diretamente da causa identificada. Não existe uma abordagem única, sendo necessário individualizar a conduta conforme o diagnóstico.

As opções incluem desde medidas conservadoras, como repouso, imobilização, uso de gelo, fisioterapia, controle da dor, adaptação de atividades e escolha adequada de calçados, até intervenções mais complexas em casos específicos.

Quando o tratamento cirúrgico é indicado?

O tratamento cirúrgico é indicado de acordo com o tipo de lesão e sua gravidade. Em geral, é considerado quando as medidas conservadoras não são suficientes para controlar os sintomas ou quando há alterações estruturais graves que exigem correção.

A decisão deve ser baseada em avaliação individualizada, levando em conta o quadro clínico e as necessidades do paciente.

Qual médico diagnostica e trata a dor crônica no tornozelo

A dor crônica no tornozelo deve ser avaliada por um especialista em Ortopedia, com especialização em pé e tornozelo. Esse profissional é responsável por identificar a causa do sintoma, diferenciar entre alterações ligamentares, tendíneas ou articulares e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.

O Dr. Guilherme Honda é ortopedista e traumatologista formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, onde também realizou residência médica e especialização em pé e tornozelo. Sua atuação é voltada ao diagnóstico, tratamento e prevenção de condições que acometem essas estruturas, incluindo quadros de dor crônica no tornozelo.

Além da prática clínica, o especialista possui produção científica relevante, com artigos publicados em importantes revistas internacionais da área de ortopedia e premiações em congressos especializados. É membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé, e atua no Hospital Sírio-Libanês, além de integrar o corpo clínico de instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital 9 de Julho e AACD.

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Fontes:

Honda Saito, Guilherme. Functional outcomes and rates of return to sport activities in a non-athlete population after the open Brostrom-Gould repair: a seven-year follow-up. Eur J Orthop Surg Traumatol. 2024 May.

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Honda Saito, Guilherme. Ankle instability in pediatric and adolescent patients diagnosed with lateral malleolus avulsion fracture: Analysis of clinical and functional outcomes of ligament injury repair surgery. Foot Ankle Surg. 2024 Aug;30(6):499-503. doi: 10.1016/j.fas.2024.03.013.

Honda Saito, Guilherme et al. Clinical outcomes of isolated acute instability of the syndesmosis treated with arthroscopy and percutaneous suture-button fixation. Arch Orthop Trauma Surg. 2021.

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