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Osteotomia no pé e tornozelo: quando é indicada?

Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

Por: Publicado em 4 maio, 2026

8 min. de leitura

Procedimento cirúrgico consiste no corte e reposicionamento de ossos para correção de deformidades no pé e tornozelo

A osteotomia é um procedimento cirúrgico amplamente utilizado na ortopedia para corrigir desalinhamentos ósseos que comprometem a função e a biomecânica do membro. No contexto do pé e tornozelo, essas alterações podem impactar diretamente a forma de caminhar, a distribuição de carga e, consequentemente, a qualidade de vida do paciente.

Esse tipo de intervenção é indicado principalmente quando há deformidades estruturais que não respondem ao tratamento conservador ou que evoluem com dor e limitação funcional. Ao permitir o reposicionamento preciso dos ossos, a osteotomia atua na causa do problema, e não apenas nos sintomas, contribuindo para um alinhamento mais adequado e melhora da função.

O que é a osteotomia?

A osteotomia é uma técnica cirúrgica que consiste na realização de um corte planejado em um osso, com o objetivo de modificar seu alinhamento ou corrigir uma deformidade. Após esse corte, o osso é reposicionado de forma estratégica, podendo também haver a retirada de pequenos fragmentos ósseos, dependendo da necessidade de correção.

No pé e tornozelo, a osteotomia é indicada principalmente quando há alterações no eixo ou na estrutura óssea que interferem na mecânica da marcha. Essas deformidades podem gerar sobrecarga em determinadas regiões, dor persistente e progressão de alterações articulares. Ao corrigir o posicionamento ósseo, o procedimento busca restabelecer o equilíbrio biomecânico e melhorar a funcionalidade do pé.

Tipos de osteotomia no pé e tornozelo

As osteotomias podem ser realizadas em diferentes regiões do pé e tornozelo, dependendo da localização e do tipo de deformidade. Cada técnica tem uma indicação específica e é escolhida com base em uma avaliação detalhada, que inclui exame físico e exames de imagem.

De forma geral, o objetivo desses procedimentos é corrigir o alinhamento estrutural, redistribuir cargas e melhorar a função do pé, podendo, em alguns casos, ser associadas entre si para alcançar um resultado mais completo.

Osteotomia do calcâneo

A osteotomia do calcâneo é realizada no osso do calcanhar e tem como principal finalidade corrigir o alinhamento do retropé. Alterações nessa região podem impactar toda a mecânica do pé, influenciando a estabilidade e a distribuição de carga durante a marcha.

Esse tipo de osteotomia é frequentemente indicado em casos de pé plano e pé cavo, condições em que há desalinhamento do calcâneo. Ao reposicionar esse osso, é possível melhorar o apoio do pé no solo, reduzir sobrecargas e contribuir para um alinhamento mais adequado do membro inferior como um todo.

Osteotomia metatarsal

A osteotomia metatarsal é realizada nos ossos metatarsos, localizados na parte anterior do pé, e é indicada principalmente para correção de deformidades que afetam essa região.

Esse tipo de procedimento é bastante utilizado em casos de joanete e metatarsalgia mas também pode ser indicado em outras alterações que envolvem desalinhamento ou sobrecarga nos metatarsos, como no próprio pé cavo ou pé plano. A correção permite redistribuir melhor as pressões durante a marcha, reduzindo dor e melhorando a função do antepé.

Quando a osteotomia no pé e tornozelo é indicada?

A osteotomia é indicada quando há deformidades ósseas que comprometem o alinhamento do pé e tornozelo e resultam em dor, limitação funcional ou progressão do quadro clínico. Em muitos casos, o procedimento é considerado após falha do tratamento conservador, como uso de palmilhas, fisioterapia ou mudanças no padrão de atividade.

Além disso, a indicação leva em conta o impacto da deformidade na biomecânica do paciente. Alterações no eixo do pé ou tornozelo podem gerar compensações em outras articulações, agravando o quadro ao longo do tempo. Por isso, a correção cirúrgica pode ser necessária para evitar a progressão dessas alterações.

Joanete (hálux valgo)

O joanete, ou hálux valgo, é uma das indicações mais comuns de osteotomia no pé. Esta uma deformidade é caracterizada pelo desvio lateral do dedão, frequentemente associada a dor, inflamação e dificuldade para o uso de calçados.

Nesses casos, a osteotomia é realizada geralmente no primeiro metatarso e, em alguns casos, também na falange proximal do hálux. O objetivo é corrigir o desalinhamento ósseo e restaurar o posicionamento adequado do dedo, reduzindo sintomas e melhorando a função.

Pé cavo e pé plano

O pé cavo e o pé plano são deformidades estruturais que alteram significativamente o alinhamento do pé e a distribuição de carga durante a marcha.

Em ambos os casos, a osteotomia pode ser indicada para corrigir o eixo do retropé. Em situações mais complexas, pode ser necessário associar osteotomias em outras regiões, como no primeiro metatarso, para alcançar uma correção mais completa e equilibrada da deformidade.

Metatarsalgia

A metatarsalgia é caracterizada por dor na região plantar da região da frente do pé, popularmente chamada de ¨almofada¨ do pé, e está frequentemente relacionada a uma sobrecarga mecânica nessa região.

Nesses casos, as osteotomias dos metatarsos podem ser indicadas com o objetivo de redistribuir a carga plantar e aliviar a sobrecarga nas áreas dolorosas. As técnicas mais utilizadas envolvem o encurtamento e/ou a elevação de um ou mais metatarsos, permitindo melhor alinhamento do antepé e redução da pressão nas cabeças metatarsais. Dessa forma, busca-se melhora dos sintomas e restauração de uma marcha mais confortável e funcional.

Artrose severa

Em casos de artrite avançada associada a deformidades, a osteotomia pode ser utilizada como estratégia para corrigir o alinhamento e redistribuir as cargas sobre a articulação afetada.

Um exemplo é a osteotomia supramaleolar da tíbia, indicada para corrigir desvios no eixo da perna e do tornozelo. Ao melhorar o alinhamento, é possível reduzir a sobrecarga em áreas específicas da articulação, contribuindo para o controle da dor e preservação da função.

Como se preparar para a osteotomia?

A preparação para a osteotomia envolve uma avaliação médica detalhada, que inclui exame físico, análise do histórico clínico e exames de imagem. Essa etapa é fundamental para o planejamento cirúrgico e definição da técnica mais adequada para cada caso.

Além disso, o paciente deve ser orientado sobre o pós-operatório, que exige cuidados específicos para garantir a consolidação óssea. Isso inclui a necessidade de um período inicial sem apoio do pé operado, uso de imobilização e adaptação da rotina durante a recuperação. Estar devidamente informado sobre essas etapas é essencial para o sucesso do tratamento.

Como a cirurgia de osteotomia no pé e tornozelo é realizada?

A cirurgia de osteotomia é realizada por meio de técnicas que permitem o corte preciso do osso, seguido do seu reposicionamento conforme o planejamento pré-operatório. Esse reposicionamento é feito de forma milimétrica, visando corrigir o alinhamento e restaurar a biomecânica do pé.

Após a correção, o osso é estabilizado com o uso de materiais de fixação, como parafusos ou placas, que mantêm a posição adequada durante o processo de cicatrização. Dependendo do caso, o procedimento pode ser realizado com o auxílio de instrumentos como serras cirúrgicas, fresas ou formões, sempre com foco na precisão e segurança.

Recuperação e cuidados no pós-operatório da osteotomia

O pós-operatório da osteotomia é uma etapa fundamental para o sucesso do procedimento, pois é nesse período que ocorre a consolidação óssea. De modo geral, o paciente permanece sem apoiar o pé operado por um período inicial, geralmente em torno de duas semanas.

Após essa fase, inicia-se uma progressão gradual da carga, com o uso de dispositivos de proteção, como bota imobilizadora. O acompanhamento médico é essencial para monitorar a evolução da cicatrização e orientar a retomada das atividades de forma segura.

Reabilitação da osteotomia: qual tempo total para se recuperar?

O tempo de recuperação após uma osteotomia pode variar significativamente de acordo com o tipo de procedimento realizado e a complexidade da deformidade tratada.

Em casos mais simples, a recuperação pode ocorrer em cerca de dois meses. Já em osteotomias mais complexas, esse período pode se estender por até seis meses. Durante esse tempo, a reabilitação pode incluir fisioterapia, com foco na recuperação da mobilidade, força muscular e retorno gradual às atividades.

Possíveis riscos da osteotomia no pé e tornozelo

Como qualquer procedimento cirúrgico, a osteotomia envolve riscos, embora sejam relativamente baixos quando realizada por um especialista experiente. Entre as possíveis complicações, destaca-se a não consolidação óssea, que ocorre quando o osso não cicatriza adequadamente após o corte.

Apesar de ser uma condição pouco frequente, a não consolidação pode exigir uma nova intervenção cirúrgica. Outros riscos incluem infecção, dor persistente e dificuldades na recuperação, reforçando a importância do acompanhamento médico e do cumprimento das orientações pós-operatórias.

Qual médico realiza a cirurgia de osteotomia no pé e tornozelo?

A osteotomia no pé e tornozelo deve ser realizada por um médico ortopedista com especialização nessa área, uma vez que se trata de um procedimento que exige conhecimento aprofundado da biomecânica, das deformidades e das técnicas cirúrgicas específicas dessa região.

O Dr. Guilherme Honda é ortopedista especializado em pé e tornozelo, com formação pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e residência médica no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da mesma instituição. Posteriormente, o profissional realizou especialização no Grupo de Pé e Tornozelo do IOT-HCFMUSP, onde também atuou como médico preceptor, participando da formação de novos especialistas e da graduação médica.

Membro titular de sociedades médicas relevantes e com atuação científica consolidada, o Dr. Guilherme Honda também se destaca pela abordagem centrada no paciente. Sua prática valoriza o atendimento individualizado e prioriza, sempre que possível, o tratamento conservador, indicando a cirurgia apenas quando realmente necessária e de acordo com as características e expectativas de cada paciente.

 

Fontes:

Dr. Guilherme Honda Saito

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