Alteração é caracterizada pela perda persistente de estabilidade da articulação, levando a falseios, entorses de repetição e risco aumentado de lesões secundárias
A instabilidade crônica do tornozelo é uma das principais consequências de entorses mal tratadas ou subestimadas. Embora muitas pessoas considerem a entorse uma lesão simples, a ausência de reabilitação adequada pode comprometer permanentemente os mecanismos de estabilização do tornozelo.
Com o passar do tempo, este tipo de lesão pode fazer com que o paciente deixe de apresentar apenas dor episódica e passe a conviver com sensação constante de insegurança ao caminhar, medo de apoiar o pé em terrenos irregulares e episódios recorrentes de torção.
Esse ciclo repetitivo gera inflamação crônica, sobrecarga das estruturas adjacentes e risco progressivo de lesões mais complexas. Por isso, compreender a instabilidade crônica do tornozelo não apenas como uma “fraqueza” da articulação, mas como uma condição estruturada e tratável, é fundamental para evitar complicações a médio e longo prazo.
O que define a instabilidade crônica do tornozelo?
A instabilidade crônica do tornozelo é definida pela incapacidade persistente da articulação em manter sua estabilidade mecânica e funcional durante atividades cotidianas ou esportivas. Diferentemente de um episódio isolado de entorse, trata-se de um quadro contínuo, no qual há repetição de falseios e sensação de que o tornozelo pode “ceder” diante de movimentos simples.
Do ponto de vista clínico, a instabilidade crônica do tornozelo pode ser dividida em dois componentes que frequentemente coexistem. A instabilidade mecânica ocorre quando há insuficiência estrutural dos ligamentos laterais, geralmente decorrente de lesões que não cicatrizaram adequadamente. Já a instabilidade funcional está relacionada à falha no controle neuromuscular e proprioceptivo, ou seja, à incapacidade do sistema nervoso de responder rapidamente às variações de posição da articulação.
Essa distinção é importante porque influencia diretamente a escolha do tratamento.
Principais causas da instabilidade crônica do tornozelo
A causa mais comum da instabilidade crônica do tornozelo é a lesão ligamentar prévia que não recebeu tratamento adequado ou cujo processo de cicatrização foi insuficiente. Após uma entorse, é fundamental que haja tempo de recuperação e reabilitação apropriada. Quando isso não ocorre, os ligamentos podem permanecer frouxos ou alongados, comprometendo a estabilidade mecânica da articulação.
Além da falha estrutural, a fraqueza muscular desempenha papel relevante na instabilidade crônica do tornozelo. A musculatura do tornozelo e da perna funciona como estabilizadora dinâmica, compensando pequenas falhas ligamentares. Quando há déficit de força ou desequilíbrio muscular, a articulação torna-se mais vulnerável a novos episódios de torção.
Outro fator determinante é a alteração da propriocepção. Após uma entorse, os receptores neurológicos presentes nos ligamentos podem sofrer danos, reduzindo a capacidade do cérebro de identificar rapidamente a posição do tornozelo no espaço. Essa perda de resposta reflexa favorece entorses repetidas, mesmo na ausência de grande frouxidão ligamentar.
Também devem ser considerados fatores predisponentes, como hiperfrouxidão ligamentar constitucional e deformidades anatômicas do pé, que podem aumentar a sobrecarga na região lateral do tornozelo e facilitar o desenvolvimento da instabilidade crônica.
Como identificar os sintomas no dia a dia?
Os sintomas da instabilidade crônica do tornozelo geralmente são progressivos. Inicialmente, o paciente pode relatar apenas desconforto após atividades físicas. Com a evolução do quadro, torna-se comum a sensação persistente de insegurança ao caminhar, especialmente em superfícies irregulares, escadas ou durante mudanças rápidas de direção.
Os falseios passam a ocorrer com frequência crescente, muitas vezes sem trauma significativo. Entorses de repetição tornam-se parte da rotina, e o paciente pode desenvolver receio de praticar esportes ou até mesmo de caminhar longas distâncias. Em fases mais avançadas, podem surgir dor crônica, edema recorrente e limitação funcional mais evidente.
Esse padrão repetitivo é um dos principais sinais de alerta para instabilidade crônica do tornozelo e não deve ser ignorado.
Como a instabilidade crônica do tornozelo é diagnosticada?
O diagnóstico da instabilidade crônica do tornozelo é essencialmente clínico e começa por uma anamnese detalhada, com investigação do número de entorses prévias, frequência dos episódios e impacto na rotina do paciente. A descrição de falseios recorrentes é um achado particularmente relevante.
No exame físico, o especialista realiza manobras específicas de estresse ligamentar para avaliar a frouxidão da articulação. Testes comparativos com o lado contralateral ajudam a identificar assimetrias. Exames de imagem, como ressonância magnética, podem complementar a avaliação ao demonstrar lesões ligamentares, danos da cartilagem ou alterações associadas que influenciam a decisão terapêutica.
A distinção entre instabilidade mecânica e funcional é parte central desse processo diagnóstico.
Opções de tratamento para instabilidade crônica do tornozelo
O tratamento da instabilidade crônica do tornozelo deve ser individualizado, considerando o tipo de instabilidade, intensidade dos sintomas, grau de limitação funcional e nível de atividade do paciente. Nem todos os casos exigem cirurgia, mas todos devem ser avaliados de forma criteriosa.
Tratamento conservador
Nos casos leves ou predominantemente funcionais, a abordagem inicial para tratamento da instabilidade crônica do tornozelo é conservadora. A fisioterapia estruturada é o principal pilar do tratamento e inclui fortalecimento progressivo da musculatura estabilizadora, treino de equilíbrio em superfícies instáveis e reeducação proprioceptiva intensiva.
O objetivo não é apenas ganhar força, mas restaurar o controle neuromuscular fino da articulação. Quando bem conduzido, o tratamento conservador pode reduzir significativamente os episódios de falseio e devolver segurança ao paciente, evitando a necessidade de intervenção cirúrgica.
Tratamento cirúrgico
A cirurgia para instabilidade crônica do tornozelo é indicada nos casos de instabilidade mecânica persistente, especialmente quando há falha do tratamento conservador e entorses frequentes que comprometem a qualidade de vida ou expõem o paciente a risco de lesões mais graves.
Nessas situações, os ligamentos encontram-se estruturalmente insuficientes, incapazes de estabilizar a articulação de forma eficaz. A decisão cirúrgica é baseada na correlação entre sintomas, exame físico e exames complementares, sempre considerando o perfil funcional do paciente.
Como a cirurgia para instabilidade crônica do tornozelo é realizada?
O procedimento cirúrgico tem como objetivo restaurar a estabilidade mecânica do tornozelo por meio do retensionamento ou reconstrução dos ligamentos laterais. Em muitos casos, a cirurgia pode ser realizada por técnica minimamente invasiva, incluindo abordagem artroscópica associada ao reparo ligamentar.
Quando necessário, é feita pequena incisão para reforço da reconstrução. Em quadros de instabilidade mais grave, podem ser utilizadas fitas sintéticas como reforço estrutural, auxiliando na estabilização e mimetizando a estrutura ligamentar.
A técnica escolhida depende do grau de lesão, da qualidade dos tecidos e das características individuais do paciente.
Quanto tempo volto a andar depois da cirurgia no tornozelo?
Após a cirurgia para corrigir a instabilidade crônica do tornozelo, o paciente permanece inicialmente com bota imobilizadora e sem apoio do membro operado por aproximadamente 1 a 2 semanas. Esse período é fundamental para proteção do reparo ligamentar.
Após essa fase inicial, o apoio é iniciado de forma progressiva. Em torno de quatro a seis semanas, o paciente costuma estar caminhando com carga total, ainda sob orientação e proteção conforme o protocolo pós-operatório adotado.
Como é a reabilitação pós-operatória?
A reabilitação é parte essencial do sucesso cirúrgico. A fisioterapia geralmente é iniciada entre a segunda e a terceira semana após o procedimento, com foco inicial em mobilidade controlada e progressão gradual para fortalecimento e treino proprioceptivo.
O retorno completo às atividades varia conforme a evolução individual, mas, em média, ocorre entre quatro e seis meses. O acompanhamento adequado reduz o risco de recorrência e favorece recuperação funcional plena.
Como prevenir a instabilidade crônica do tornozelo?
A prevenção da instabilidade crônica do tornozelo começa no primeiro episódio de entorse. Tratamento adequado, imobilização quando indicada e reabilitação precoce são medidas fundamentais para evitar que a lesão evolua para um quadro crônico.
Fortalecimento regular da musculatura, treino de equilíbrio e uso de calçados apropriados são estratégias eficazes para reduzir o risco de novas torções. Em pacientes com predisposição, o acompanhamento preventivo pode evitar a progressão para instabilidade persistente.
O Dr. Guilherme Honda possui ampla experiência no tratamento das instabilidades ligamentares do tornozelo, possuindo diversos artigos científicos internacionais publicados sobre o tema. Para saber mais a respeito da instabilidade crônica do tornozelo e tirar suas dúvidas sobre o tratamento da condição, entre em contato e agende uma consulta com o Dr. Guilherme Honda.
Fontes:
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