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Braquimetatarsia: o que é, sintomas, causas e tratamento

Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

Por: Publicado em 7 outubro, 2026

12 min. de leitura

Alteração no comprimento de um ou mais metatarsos pode afetar a aparência do pé e, em alguns casos, provocar dor e sobrecarga no antepé

A braquimetatarsia é uma deformidade do pé caracterizada pelo encurtamento anormal de um ou mais metatarsos. Embora muitas pessoas apresentem apenas uma diferença estética no comprimento dos dedos, a alteração também pode modificar a distribuição das cargas no antepé e causar desconforto, dificuldades com calçados e alterações na marcha.

Na maioria dos casos, a condição tem origem congênita e está relacionada ao fechamento precoce da cartilagem de crescimento do metatarso. O quarto metatarso é o mais frequentemente afetado, embora outros ossos também possam apresentar o encurtamento. A intensidade das manifestações varia de acordo com o grau da deformidade e com a presença de alterações associadas.

Por isso, nem toda pessoa com a condição precisa de tratamento. Quando não há dor ou limitação funcional, medidas simples podem ser suficientes. Já nos casos em que existe incômodo importante, o tratamento cirúrgico pode ser considerado para restaurar o comprimento do metatarso e melhorar a função e a aparência do pé.

O que é braquimetatarsia?

A braquimetatarsia é o encurtamento anormal de um ou mais metatarsos, ossos localizados na parte anterior do pé e que conectam os dedos à região posterior do pé. Como o metatarso afetado não alcança o comprimento esperado, o dedo correspondente pode parecer mais curto e ficar mais elevado em relação aos demais.

A condição pode ser unilateral ou bilateral e pode envolver diferentes metatarsos. O quarto metatarso é um dos mais frequentemente acometidos. Além da diferença visual, a mudança no comprimento dos raios do antepé pode alterar a distribuição das forças durante o apoio e a caminhada.

Em alguns pacientes, a braquimetatarsia é assintomática e representa principalmente uma questão estética. Em outros, a alteração pode estar associada a metatarsalgia, calosidades, deformidades dos dedos e dificuldade para encontrar calçados confortáveis. A avaliação individual é importante para determinar se existe necessidade de tratamento.

Quais são as causas da braquimetatarsia?

A maioria dos casos é congênita. Uma das principais explicações é o fechamento precoce da cartilagem de crescimento do metatarso, interrompendo seu desenvolvimento antes que o osso alcance o comprimento esperado.

Existe também um componente genético importante. A condição pode ocorrer em famílias, embora a presença de histórico familiar não seja obrigatória. Em algumas situações, a braquimetatarsia pode estar associada a alterações esqueléticas ou síndromes específicas.

A forma adquirida é menos frequente e pode surgir após traumas, infecções, tumores, cirurgias ou outras situações capazes de interferir no crescimento ou no desenvolvimento ósseo. Por isso, o histórico clínico ajuda o especialista a compreender a origem da deformidade.

Quais sintomas a braquimetatarsia pode causar?

O sinal mais evidente costuma ser o encurtamento de um dos dedos. Para o paciente, isso pode ser percebido como um dedo do pé muito curto, frequentemente acompanhado de uma posição mais elevada do dedo afetado.

Nem todos os casos provocam sintomas. Quando existem repercussões funcionais, podem surgir dor no antepé, sobrecarga dos metatarsos vizinhos, dificuldade para usar determinados calçados, alterações na marcha e deformidades associadas dos dedos.

A alteração na distribuição da carga também pode provocar dor na planta do pé, metatarsalgia e formação de calosidades na planta do pé. A intensidade dos sintomas depende, entre outros fatores, do grau de encurtamento e da forma como o paciente distribui o peso durante o apoio.

Em casos mais sintomáticos, a braquimetatarsia pode interferir em atividades físicas e na qualidade de vida. A presença de dor persistente, dificuldade para caminhar ou limitações no uso de calçados é um motivo para procurar avaliação especializada.

Como é feito o diagnóstico da braquimetatarsia?

O diagnóstico é principalmente clínico. Durante a consulta, o ortopedista avalia o formato do pé, o comprimento relativo dos dedos, o alinhamento do antepé, a presença de calosidades, deformidades associadas e possíveis pontos de dor.

As radiografias com carga são importantes para complementar a avaliação. As imagens permitem observar o alinhamento ósseo e medir o grau de encurtamento, além de contribuir para o planejamento de uma eventual cirurgia.

Outros exames de imagem podem ser solicitados quando existe alguma dúvida diagnóstica, suspeita de alteração associada ou necessidade de avaliar estruturas que não podem ser analisadas adequadamente pela radiografia. A escolha depende das características de cada caso.

Quais tratamentos existem para a braquimetatarsia?

Nem todos os pacientes precisam de cirurgia. A decisão depende da presença e da intensidade dos sintomas, do comprometimento funcional, do grau de encurtamento e do impacto estético da deformidade.

Quando a condição não provoca dor importante nem limitações, a observação pode ser suficiente. Em casos sintomáticos, medidas conservadoras podem aliviar o desconforto, mas a correção definitiva do encurtamento do metatarso é cirúrgica.

Tratamento conservador

Pacientes sem dor importante ou limitação funcional costumam ser tratados inicialmente sem cirurgia. A observação clínica é uma opção quando a deformidade não interfere na rotina e não produz sintomas relevantes.

A adaptação dos calçados pode reduzir pontos de pressão e facilitar o uso no dia a dia. Palmilhas também podem ser utilizadas para melhorar a distribuição das cargas quando existe sobrecarga do antepé.

O controle de calosidades e a fisioterapia (quando indicado) podem contribuir para aliviar sintomas associados. Essas medidas, entretanto, não alongam o metatarso: seu objetivo é melhorar o conforto e a função.

Tratamento cirúrgico

A cirurgia pode ser indicada quando a deformidade provoca dor persistente, dificuldade para caminhar ou usar calçados, sobrecarga dos metatarsos vizinhos, deformidades dos dedos e importante incômodo estético.

O princípio do tratamento cirúrgico para braquimetatarsia é alongar o metatarso afetado. Existem diferentes técnicas, e a escolha depende principalmente do grau de encurtamento, das condições dos tecidos, da idade do paciente e do objetivo da correção.

Entre as principais possibilidades estão o alongamento progressivo com fixador externo e o alongamento em tempo único com interposição de enxerto ósseo. Cada técnica apresenta vantagens, limitações e indicações específicas.

Como é feita a cirurgia para braquimetatarsia?

A cirurgia para braquimetatarsia tem como objetivo restaurar o comprimento do metatarso e reposicionar adequadamente o dedo. Existem diferentes técnicas de alongamento, e a escolha deve considerar o grau de encurtamento, a idade, as condições dos tecidos e o resultado esperado.

Em geral, o procedimento envolve uma osteotomia, ou seja, uma secção controlada do osso que permite realizar o alongamento. A forma como o metatarso é posteriormente alongado e estabilizado varia conforme a técnica escolhida.

Alongamento progressivo com fixador externo

O alongamento progressivo com fixador externo costuma ser considerado quando é necessário um alongamento maior. A técnica permite que o osso seja alongado gradualmente, dando tempo para que estruturas como nervos, vasos, músculos e tendões se adaptem à mudança de comprimento.

Após a osteotomia, o fixador externo é instalado por meio de pinos conectados ao osso. O dispositivo permanece externamente e permite aumentar progressivamente a distância entre os segmentos ósseos, estimulando a formação de novo tecido ósseo no espaço criado.

O ritmo de alongamento é definido pelo cirurgião e acompanhado por avaliações clínicas e radiográficas. Estudos descrevem a distração gradual como uma opção especialmente útil quando se busca um alongamento maior, embora o método exija acompanhamento prolongado e possa apresentar complicações relacionadas aos pinos, como infecção.

O principal benefício é permitir alongamentos maiores de maneira controlada. Entre as limitações estão o período prolongado com o fixador, a necessidade de ajustes e acompanhamento frequentes e a possibilidade de complicações como infecção no trajeto dos pinos ou consolidação óssea inadequada.

Alongamento em tempo único com enxerto ósseo

O alongamento em tempo único pode ser indicado quando a correção necessária permite realizar o aumento do comprimento em uma única cirurgia. Nesse método, o metatarso é osteotomizado e um enxerto ósseo é colocado entre os segmentos para manter o comprimento desejado.

O enxerto pode ser retirado da crista ilíaca do próprio paciente e o segmento alongado é estabilizado com material de fixação, como uma placa. Dessa forma, o paciente deixa a cirurgia com o metatarso já alongado, sem a necessidade de permanecer por meses com um fixador externo.

A principal vantagem é não necessitar do uso de um dispositivo externo no pé. Por outro lado, a técnica envolve a necessidade de uma área doadora para o enxerto e apresenta limitações quanto ao tamanho do alongamento que pode ser obtido.

A literatura compara as duas estratégias e mostra que o alongamento gradual tende a permitir maior ganho de comprimento, enquanto o alongamento em tempo único pode apresentar menor tempo de consolidação e menos complicações em determinadas séries. A escolha deve ser individualizada.

Como é a recuperação após a cirurgia?

A recuperação da cirurgia para braquimetatarsia varia conforme a técnica utilizada e o grau de alongamento realizado. Após o procedimento, o paciente pode precisar de imobilização ou de um fixador externo, dependendo da estratégia escolhida. A carga sobre o pé e o retorno à marcha são liberados de forma progressiva, de acordo com a evolução da consolidação óssea e a avaliação do especialista.

Nos casos tratados com alongamento progressivo, o fixador externo permanece durante o período necessário para realizar o alongamento e permitir a formação de novo tecido ósseo. Durante essa etapa, são necessários acompanhamentos clínicos e exames de imagem para verificar a evolução da correção e da consolidação.

Quando o alongamento é realizado em um único procedimento com enxerto ósseo, também é necessário aguardar a consolidação do osso antes de retomar atividades que exijam maior carga sobre o pé. O período de recuperação varia de acordo com cada caso, e o paciente deve seguir as orientações sobre imobilização, apoio e retorno gradual às atividades.

A fisioterapia pode fazer parte da recuperação para auxiliar na mobilidade, força e retomada da função do pé. O retorno ao trabalho depende das exigências da atividade profissional, enquanto a prática de exercícios físicos e atividades de impacto deve ocorrer somente após a liberação do especialista.

Quais resultados podem ser esperados após o tratamento?

O objetivo do tratamento é corrigir o encurtamento do metatarso e melhorar a relação entre os dedos e os demais segmentos do antepé. Quando existe sobrecarga causada pela deformidade, a correção pode contribuir para melhorar a distribuição das cargas e reduzir sintomas.

A melhora também pode envolver a redução de calosidades e da dor associada à sobrecarga, além da correção da posição do dedo. Do ponto de vista estético, o alongamento busca tornar o comprimento dos dedos mais proporcional.

Os resultados dependem do grau de encurtamento, da técnica utilizada, das condições dos tecidos e da evolução da consolidação óssea. A adesão ao pós-operatório também é importante para preservar a correção obtida.

É importante lembrar que toda cirurgia apresenta riscos. Entre as possíveis complicações descritas para a correção da braquimetatarsia estão não consolidação da osteotomia, rigidez articular, deformidade residual, dor persistente e infecção, especialmente relacionada aos pinos quando é utilizado fixador externo.

Dúvidas frequentes sobre braquimetatarsia

As dúvidas mais comuns estão relacionadas à origem da deformidade, à possibilidade de tratamento sem cirurgia, às técnicas de alongamento, ao tempo de recuperação e aos resultados que podem ser alcançados.

A avaliação com um especialista é importante para esclarecer essas questões considerando o grau de encurtamento, os sintomas e as características anatômicas de cada paciente.

A braquimetatarsia é genética?

Muitos casos de braquimetatarsia apresentam componente genético e podem ocorrer em famílias, embora não seja obrigatório existir histórico familiar. A condição também pode estar associada a algumas alterações esqueléticas e síndromes.

A cirurgia para braquimetatarsia dói?

A dor faz parte do processo de recuperação de qualquer cirurgia, mas costuma ser bem controlada com medicamentos prescritos pelo médico. Nos primeiros dias, é comum haver dor, inchaço e sensibilidade na região operada. A intensidade tende a diminuir progressivamente durante a recuperação. O controle adequado da dor também envolve repouso, elevação do membro e cumprimento das orientações pós-operatórias.

Quanto custa uma cirurgia de braquimetatarsia?

O custo de uma cirurgia de braquimetatarsia varia conforme a técnica e as características de cada caso. O orçamento pode variar conforme a técnica escolhida e a complexidade do caso.

A braquimetatarsia pode voltar após a cirurgia?

A recidiva da deformidade não é esperada quando a indicação e o planejamento cirúrgico são adequados, mas o resultado pode ser comprometido por fatores como problemas na consolidação óssea, alterações do alinhamento ou complicações durante a recuperação.

O acompanhamento pós-operatório é importante para verificar a consolidação, a posição do metatarso e a evolução funcional. Seguir as orientações de carga, imobilização, fisioterapia e retorno às atividades também contribui para a recuperação.

Quando procurar um especialista em cirurgia do pé e tornozelo para tratar a braquimetatarsia?

A avaliação com um especialista em cirurgia do pé e tornozelo é indicada quando a braquimetatarsia provoca dor, dificuldade para caminhar ou usar determinados calçados, alterações na distribuição da carga no antepé ou limitação funcional.

Cada caso deve ser analisado individualmente, e a cirurgia não é necessária para todos os pacientes. Quando existe indicação, porém, o planejamento permite definir a técnica mais adequada para restaurar o comprimento do metatarso com segurança.

A escolha entre o alongamento progressivo e o alongamento em tempo único depende principalmente do grau de encurtamento e das características de cada paciente. O objetivo é alcançar uma correção que proporcione melhora funcional e estética sem ultrapassar os limites seguros do alongamento ósseo.

Em caso de suspeita de braquimetatarsia ou de sintomas associados à deformidade, a consulta com um especialista permite esclarecer o diagnóstico e discutir as opções de tratamento disponíveis.

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Fontes:

Dr. Guilherme Honda

Hung WC et al. Subacute two stage metatarsal lengthening with gradual distraction for brachymetatarsia: A consecutive case series and literature review. Foot Ankle Surg. 2023.

Klauser HO. The Surgical Treatment of Brachymetatarsia. Foot Ankle Clin. 2021 Dec;26(4):685-704. doi: 10.1016/j.fcl.2021.07.003. Epub 2021 Oct 4. PMID: 34752234.

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