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A instabilidade crônica no tornozelo causa artrose?

Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

Por: Publicado em 2 janeiro, 2026

6 min. de leitura

Entenda a relação entre instabilidade crônica no tornozelo e o desenvolvimento de artrose, suas causas, sintomas, formas de tratamento e prevenção.

A instabilidade crônica no tornozelo é uma condição comum após entorses repetidas ou lesões ligamentares que não foram tratadas de forma adequada. Com o tempo, essa falta de estabilidade altera o funcionamento natural da articulação, prejudicando sua capacidade de distribuir as cargas de maneira equilibrada. Isso significa que determinadas áreas passam a receber mais impacto do que deveriam, o que aumenta o atrito entre as superfícies articulares.

Essas alterações biomecânicas, quando persistentes, tornam-se um dos fatores que favorecem o desgaste progressivo da cartilagem — processo conhecido como artrose. Por isso, entender a relação entre as condições e se a instabilidade crônica causa artrose é essencial para orientar tratamentos precoces, reduzir limitações futuras e melhorar a qualidade de vida do paciente.

A artrose é grave?

Sim, a artrose é considerada uma condição grave, especialmente quando acomete o tornozelo. A doença se caracteriza pela perda difusa da cartilagem, tecido que funciona como uma camada protetora permitindo que os ossos se movimentem sem atrito. Quando essa cartilagem se desgasta, surgem dor, rigidez e limitação funcional, tornando movimentos simples — como caminhar ou apoiar o pé no chão — significativamente difíceis.

Esse processo tende a ser ainda mais preocupante quando fatores predisponentes estão presentes, e é por isso que entender por que a instabilidade crônica causa artrose é fundamental para identificar riscos e agir precocemente.

Além do impacto físico direto, a artrose compromete a rotina do paciente. Muitas vezes, atividades básicas do cotidiano passam a exigir maior esforço, e práticas esportivas podem se tornar inviáveis. Se não tratada, a progressão tende a ser lenta, porém contínua, levando a limitações cada vez maiores.

Quais as causas da artrose?

A artrose no tornozelo pode se desenvolver por diversos motivos, e alguns deles estão diretamente relacionados a traumas prévios. As fraturas do tornozelo — especialmente as mais graves ou mal tratadas — são uma das principais causas, pois podem alterar o alinhamento articular e prejudicar a distribuição normal das cargas.

A fratura do pilão tibial também é uma causa importante, já que atinge uma área fundamental de sustentação, favorecendo o desgaste da cartilagem ao longo do tempo. Além disso, condições inflamatórias, como artrite reumatoide e gota, e lesões osteocondrais que afetam a cartilagem ou o osso subcondral, podem desencadear o processo degenerativo.

Entre esses fatores, a instabilidade ligamentar merece destaque porque a instabilidade crônica causa artrose ao modificar a mecânica natural do tornozelo e aumentar o atrito entre as superfícies articulares. Quando a articulação funciona sem estabilidade adequada, determinadas áreas passam a sofrer sobrecarga repetitiva, acelerando o desgaste da cartilagem. Por isso, entorses recorrentes e lesões ligamentares não tratadas adequadamente devem ser encaradas como potenciais risco de degeneração futura.

Como a instabilidade crônica no tornozelo causa artrose?

A instabilidade crônica causa artrose porque a alteração afeta significativamente a biomecânica do tornozelo. Quando os ligamentos não conseguem mais estabilizar a articulação, cada passo gera microdesalinhamentos que mudam a distribuição normal das forças. Algumas áreas passam a sofrer sobrecarga constante, o que aumenta o atrito entre os ossos.

Com o tempo, esse atrito excessivo acelera o desgaste da cartilagem. Mesmo que o paciente não sinta dor inicialmente, o processo degenerativo pode estar avançando de maneira silenciosa. É por isso que tratar entorses, acompanhar a evolução da lesão e reabilitar adequadamente o tornozelo são medidas fundamentais para evitar artrose futura.

Quais os sintomas da artrose no tornozelo?

Os sintomas geralmente começam de forma sutil, mas se intensificam com o passar do tempo. A dor é o sinal mais comum, sendo percebida principalmente ao apoiar o pé no chão ou realizar atividades de impacto. Essa dor pode ser localizada ou irradiar para áreas próximas, dependendo do grau de desgaste.

Outros sintomas frequentes incluem:

  • Rigidez articular;
  • Dificuldade de realizar movimentos como flexão, extensão ou rotação do tornozelo;
  • Inchaço que tende a piorar após atividades físicas ou longos períodos em pé;
  • Dificuldade para realizar tarefas simples, como subir escadas ou caminhar longas distâncias, conforme a doença progride.

Como tratar a instabilidade no tornozelo causada por artrose?

É importante fazer uma correção conceitual: a instabilidade NÃO é causada pela artrose — é a instabilidade que, na verdade, aumenta o risco de artrose. Portanto, o foco do tratamento deve estar em prevenir que a instabilidade crônica cause artrose. A melhor forma de fazer isso é tratar adequadamente maneira adequada qualquer entorse ou lesão ligamentar desde o início, garantindo cicatrização e estabilidade suficientes.

Como a instabilidade crônica causa artrose, uma vez que a alteração já está instalada, algumas abordagens podem ser utilizadas. A fisioterapia é indicada nos casos leves a moderados, com foco em fortalecimento e propriocepção. No entanto, quando a instabilidade é grave, o tratamento cirúrgico costuma oferecer melhores resultados, restaurando a estabilidade do tornozelo e reduzindo as chances de progressão para artrose ou agravamento dos sintomas existentes.

Como prevenir que a instabilidade crônica cause artrose?

A prevenção começa logo no primeiro episódio de entorse. Muitas pessoas negligenciam o atendimento após uma torção do tornozelo, mas esse é justamente o momento mais importante para garantir que a articulação volte a funcionar de forma estável. A avaliação precoce permite identificar lesões ligamentares e iniciar o tratamento correto, que pode incluir repouso, imobilização temporária e fisioterapia.

Outro ponto essencial é manter o tornozelo forte e responsivo mesmo após a recuperação inicial. Exercícios de propriocepção, equilíbrio e fortalecimento muscular ajudam a garantir estabilidade a longo prazo. Em casos de instabilidade persistente ou falha no tratamento conservador, a cirurgia pode ser indicada para corrigir a mecânica da articulação e impedir o desgaste futuro. Atualmente existem tratamentos modernos e eficientes para a instabilidade crônica do tornozelo, restaurando a estabilidade da articulação de maneira previsível, eficiente e pouco invasiva. Se realizado em tempo hábil, antes de ocorrer a degeneração da cartilagem, a cirurgia é capaz de prevenir a progressão do quadra para uma eventual artrose.

Qual médico realiza o tratamento?

O profissional mais indicado para avaliar e tratar tanto a instabilidade crônica quanto a artrose do tornozelo é o ortopedista especialista em pé e tornozelo. Esse médico possui formação específica para analisar a biomecânica da articulação, diagnosticar lesões ligamentares, realizar exames complementares e indicar o melhor tratamento para evitar que a instabilidade crônica cause artrose.

Além disso, quando o caso envolve instabilidade grave, lesões osteocondrais ou degeneração avançada da cartilagem, o especialista em pé e tornozelo é o profissional mais preparado para indicar procedimentos cirúrgicos, quando necessários. O acompanhamento adequado é essencial para garantir bons resultados e evitar a progressão do desgaste.

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Fontes:

Dr. Guilherme Honda Saito

Honda Saito, Guilherme. Functional outcomes and rates of return to sport activities in a non-athlete population after the open Brostrom-Gould repair: a seven-year follow-up. Eur J Orthop Surg Traumatol. 2024 May;34(4):1957-1962.

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Honda Saito, Guilherme et al. Total Ankle Replacement With Advanced Varus and Valgus Deformities. Techiniques in Foot and Ankle Surgery 2018.

Honda Saito, Guilherme et al. Influence of Tibial Component Position on Altered Kinematics Following Total Ankle Arthroplasty During Simulated Gait. Foot and Ankle International 2019.

Honda Saito, Guilherme et al. Accuracy of patient-specific instrumentation in total ankle arthroplasty: A comparative study. Foot and Ankle Surgery 2018.

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