Procedimento complexo desfaz uma artrodese previamente realizada para permitir a colocação de uma prótese
A desartrodese no tornozelo é um procedimento ortopédico altamente especializado, indicado para casos nos quais uma artrodese prévia não apresentou o resultado esperado. Diferentemente de uma cirurgia realizada primariamente para colocação de prótese, a desartrodese envolve desfazer a fusão óssea existente para restabelecer alguma mobilidade ao tornozelo por meio de uma prótese.
Por ser um procedimento complexo e de maior risco quando comparado a cirurgias primárias, a desartrodese no tornozelo não é realizada rotineiramente. Ela é reservada para situações nas quais a artrodese do tornozelo antiga causa dor, limitação funcional significativa ou complicações estruturais. A decisão depende da análise minuciosa de fatores anatômicos, biomecânicos e das expectativas reais do paciente, já que o ganho de mobilidade costuma ser limitado após esse tipo de correção.
O que é a desartrodese no tornozelo?
A desartrodese no tornozelo é o procedimento que converte uma artrodese previamente realizada em uma prótese total do tornozelo. Isso significa que o tornozelo, antes completamente rígido devido à fusão óssea, passa por um processo de liberação das estruturas para permitir a colocação de componentes protéticos.
A intenção é recuperar parte do movimento e reduzir sintomas persistentes, especialmente dor. No entanto, por envolver estruturas já retraídas e com alterações decorrentes da imobilição prolongada, a amplitude final de movimento é significativamente menor que a obtida em próteses realizadas primariamente.
É importante destacar que a desartrodese no tornozelo é uma cirurgia que apresenta maior complexidade técnica devido às alterações anatômicas decorrentes da artrodese prévia. Tendões, cápsulas, ligamentos e partes moles ao redor do tornozelo podem estar retraídos ou adaptados à falta de mobilidade. Por isso, mesmo quando bem-sucedida, a desartrodese geralmente não devolve amplitude normal de movimento, mas busca melhorar o conforto e a função dentro do possível.
Quando a desartrodese no tornozelo é indicada?
A desartrodese no tornozelo não é indicada para qualquer paciente com artrodese antiga que deseje recuperar mobilidade. Pelo contrário: suas indicações são muito específicas, especialmente porque se trata de um procedimento com maior risco de complicações, tecnicamente complexo e com resultados limitados em termos de mobilidade.
Entre as principais indicações da desartrodese no tornozelo está a consolidação viciosa, quando a artrodese cicatriza em posição inadequada. O cenário mais comum é o equino, em que o pé fica excessivamente voltado para baixo, dificultando uma pisada estável. Outra indicação relevante é a pseudoartrose, que ocorre quando a artrodese não consolida completamente, causando dor persistente e instabilidade. Também pode ser indicada quando há artrose nas articulações vizinhas devido à sobrecarga gerada pela rigidez do tornozelo, levando a dor e limitação funcional significativa.
Como é feita a cirurgia de desartrodese no tornozelo?
A cirurgia consiste em desfazer a artrodese existente, liberando a articulação que estava previamente fundida. Para isso, o médico ortopedista realiza cortes ósseos e libera tecidos que impedem o movimento, permitindo a correção dos alinhamentos necessários. Após essa etapa, prepara-se a área para acomodar uma prótese de tornozelo, que substitui as estruturas articulares comprometidas e permite algum grau de mobilidade.
Por ser um procedimento tecnicamente avançado, a desartrodese no tornozelo exige extrema precisão na colocação dos componentes protéticos. O sucesso da cirurgia depende de posicionamento adequado, correção dos eixos e avaliação cuidadosa das condições ósseas e ligamentares. Devido à complexidade envolvida, é essencial que o procedimento seja conduzido por um cirurgião experiente em prótese de tornozelo e familiarizado especificamente com casos de desartrodese.
Recuperação e cuidados pós-procedimento
A recuperação após a desartrodese no tornozelo é gradual e exige cuidados rígidos desde as primeiras semanas. No período inicial, orienta-se que o paciente permaneça aproximadamente quatro semanas sem apoiar o pé no chão, utilizando uma bota imobilizadora para controle da mobilidade e proteção da prótese recém-implantada.
Após esse período, o apoio começa a ser liberado de forma progressiva, sempre acompanhado por monitoramento clínico e radiográfico. O uso da bota costuma ser mantido entre oito e dez semanas, e a fisioterapia tem início entre duas e três semanas após a cirurgia.
A reabilitação foca em recuperar força, estabilidade e amplitude segura dentro das limitações impostas pela condição prévia do tornozelo. A recuperação completa costuma levar cerca de seis meses, podendo variar conforme as características individuais do paciente e a resposta ao procedimento.
O que esperar após a desartrodese no tornozelo?
O principal objetivo da desartrodese no tornozelo é reduzir a dor e melhorar a função, especialmente em casos nos quais a artrodese anterior se tornou problemática. Nesses casos específicos, a prótese tende a oferecer conforto maior ao caminhar e uma biomecânica mais próxima do natural do que a rigidez total da artrodese.
Quanto à mobilidade, é esperado algum ganho, mas é importante reforçar que esse ganho é limitado. Por se tratar de um tornozelo previamente fusionado, com retrações e adaptações estruturais, a amplitude de movimento é significativamente menor do que a obtida em próteses primárias. Portanto, a expectativa realista é fundamental para a satisfação com o resultado.
Há possíveis riscos ou complicações?
Assim como qualquer procedimento complexo, a desartrodese no tornozelo apresenta riscos que precisam ser considerados. Um dos principais é o risco de mau posicionamento da prótese, especialmente se o procedimento não for realizado por um especialista experiente em prótese de tornozelo. Isso pode comprometer o alinhamento, a estabilidade e o resultado funcional.
Outras possíveis complicações incluem dores residuais, limitação significativa de mobilidade, alterações neurovasculares (embora raras) e necessidade de revisões cirúrgicas. A taxa de complicações é mais elevada do que em cirurgias primárias de prótese devido às particularidades anatômicas de um tornozelo previamente fusionado. Por esse motivo, a avaliação cuidadosa e a escolha de um cirurgião experiente são determinantes para minimizar riscos.
Qual médico realiza a desartrodese no tornozelo?
A desartrodese no tornozelo deve ser realizada por um ortopedista especialista em prótese de tornozelo e com experiência comprovada em casos complexos. Essa subespecialização é fundamental porque o procedimento exige conhecimento aprofundado da biomecânica do tornozelo, domínio técnico avançado e familiaridade com complicações decorrentes de artrodeses anteriores.
Escolher um profissional habituado a esse tipo de cirurgia aumenta consideravelmente as chances de um bom resultado. Além da experiência cirúrgica, o especialista também é responsável por conduzir toda a avaliação pré-operatória, planejar a intervenção e acompanhar o processo de reabilitação, garantindo segurança e previsibilidade ao tratamento.
Agende uma consulta com o ortopedista Dr. Guilherme Honda.
Fontes:
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